quarta-feira, 17 de junho de 2009


Mulheres de lingerie cereja, minúscula e com renda entram nos bares depois dos ventiladores industriais, com seus cabelos esvoaçantes destacando seus cortes de cabelo “igualzinho ao da Gisele, moço, por favor”. Elas chegam sempre aos bandos, inseguras demais pra decidirem sozinhas se querem beber caipiroska de uva ou caipisakê de frutas vermelhas, enquanto enrolam compulsivamente os cachos dourados no dedo indicador, pedindo com voz de menina-do-papai a ajuda do garçom, que a esta altura já se perdeu no decote da dita cuja. São praticamente iguais, e três copos de cerveja depois, nenhum homem consegue distinguir a Lê, a Rê e a Fê, mas eventualmente vai levar uma das três pra casa, provavelmente a primeira que sofrer de falta de ar por causa da calça jeans apertada. Todas têm cara de paisagem, a maioria do tipo “final de semana em Punta”, e quando o assunto é viagem, dão aquela risadinha cúmplice e sacana entre si porque suas histórias homéricas sobre compras e vômitos em bolsas falsificadas são simplesmente impagáveis, mas jamais são reveladas, porque até o último segundo, elas vão fazer os homens acreditarem que são boas demais pra eles. Dão gritinhos irritantes e a experiência de sentar numa mesa ao lado delas é quase espiritual, porque você precisa sair do corpo pra suportar tanta futilidade e chilique junto. Livros: só os para-didáticos, que foram obrigadas a ler durante o ensino fundamental. Jornal: suja as mãos de preto e “ah não, eu acabei de fazer as unhas”. Revistas: variam entre Vogue, pra distinguir branco de off-white, e Marie Claire, pra responder o teste “High ou high-low?”. Algumas são até legais, é verdade, mas o instinto de bando é sempre mais forte e prevalece acima de qualquer coisa. Elas adoram as baladas com música muito alta, talvez pra não denunciar seus cérebros atrofiados, depois de tantas horas marinados na vodka com energético. Têm como trabalho e diversão de vida seduzir: seduzem o manobrista, o garçom, o porteiro, o faxineiro, os playboys, os hippies, os indies e os namoradas da amigas. Elas não acrescentam nada nas conversas e estão sempre ocupadas demais se equilibrando nos saltos altos ou retocando o glitter que aumenta o volume dos lábios, porque todas querem ter a boca da Angelina Jolie, o cabelo da Gisele, as pernas da Adriana Lima, a inteligência emocional da Lindsay Lohan e o QI da Paris Hilton. Por isso, eu afirmo: longa viva às calcinhas brancas, beges, pretas, coloridas, de esquerda, mas cheias de personalidade. Mulheres de lingerie cereja, minúscula e com renda são como itens de decoração: ficam ótimos na estante da sala, mas não passam de lindos objetos.

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