
Existe uma certa beleza em não falar. Dizer as coisas é meio vulgar, desnecessário. O que a gente tem lá dentro é tão melhor, mais bonito e até maior quando fica lá dentro mesmo, protegido, a salvo. Não sei se é o calor, o sol, o vento ou tom da nossa voz, mas tem algo que estraga a poesia quando a boca coloca ela pra fora. Acho que é por isso que o meu lado que sente não conversa com o meu lado que fala. O que sai de um e o que sai do outro são de uma diferença absurda. Um lado simplesmente trai o outro. Por isso, eu escrevo. Escrevo feito uma louca. Escrevo sem hora certa. Escrevo sem parar. Escrevo para que os outros me entendam. Porque me escutar é algo completamente inútil.

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