terça-feira, 9 de junho de 2009


Eu acho que eu tinha lá meus 12 anos quando alguém me deu algo que eu não queria... A sensibilidade. Foi então que comecei a querer ser sempre criança. Rezava todos os dias pra não perceber as coisas... E hoje em dia não me enxergo. Acho que Deus deixou o milagre pela metade. Às vezes as coisas são tão obvias que se tornam complicadas. Não quero isso. Não obrigada, não quero entender... A verdade é que às vezes vejo o que ninguém vê... Sinto o que poucos sentem. Sensibilidade maldita! E como explicar que o que você se esforça para camuflar eu enxergo nitidamente? Nem você admitiria que acredita nem eu teria provas. É um jogo... Onde você sabe que eu sei, e não precisa de provas, mas eu me desespero pelo teu silencio, pelo braço que você jamais dará à torcer. Não existe vencedores ou perdedores, mas eu sei que quem mais sofre sou eu quando procuro provas que não existem pra te mostrar o que você sabe que eu sei mas finge não saber. O que eu sinto eu só sinto, não se vê, não se cheira, não se escuta, não se lê... Mas sem isso também não seria possível. Os outros sentidos me ajudam a perceber... Viciada nas entre linhas, quero sentir o verdadeiro toque, a respiração ofegante do desejo, do "quero agora", sei quando falas e não dizes nada... Sei também quando não falas e gritas por dentro. Eu queria ser criança ainda, não saber de nada, ou pelo menos não lembrar que sei. A sensibilidade consciente me dói. Queria ser burra... Mas infelizmente sou louca.

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